Resenha de Pantera Cor de preto de Alec Raj

 

        Sinopse:

       “Pantera é uma profissional do sexo do Rio de Janeiro que se recusa a dizer quem ela é, mesmo assim a cor preta de suas roupas tem muito que dizer. Quando as sombras antigas parecem sumir para ela, Andrey Lambertini surge para afirmar que o passado não merece ser esquecido. O mistério da mulher de preto torna-se o maior negócio para Andrey. Decifrá-la é um desafio desconhecido que abrirá a porta de um novo desejo: a submissão. Fugir daquele cujas mãos são como o doce toque de algemas é o que ela gostaria. Lutar, além de ser excitante e muito misterioso, será sua única saída. Ambos descobrirão que a loucura cura e que o perigo mora no preto. No preto da escuridão.”

 

         Pantera cor-de preto de Alec Raj é um romance erótico que está também incluído num estilo literário pouco explorado: A Literatura Noir.

         O gênero Noir recebeu esse nome justamente por ter como ambiente, na maioria das vezes, a noite, os bares, as ruas desertas.

          A literatura noir refere-se ao gênero policial, com bastante suspense e mistério, com histórias parcialmente ambientadas em cenários sórdidos, frequentemente "sujos" tanto do ponto de vista figurado quanto literal.

         O termo surgiu de uma série editada na França dedicada ao gênero policial e esta coleção ou série se chamava Série Noir que significa "série negra", em francês. O termo pegou. Embora o gênero não tivesse sido inventado na França, o termo que o designa se origina de lá. Mais tarde, o termo se estendeu ao cinema, para designar esse tipo de filme (bastante comum nos anos 40).

         A década de 90 assiste a uma nova explosão do gênero, estimulada pelo sucesso de um novo e brilhante criador: Quentin Tarantino, com sua obra-prima Tempo de violência. O título original deste filme, Pulp Fiction, é uma homenagem às velhas revistas pulp, nas quais Tarantino - presente neste volume com o conto O relógio - foi buscar inspiração para sua obra cinematográfica e literária.

          No prólogo em Flashback, o cenário de Pantera cor-de preto é uma boate de strip-tease em São Paulo, nos anos 2000.

        Uma mulher está fazendo sua apresentação, vestida de preto.

       A sedução paira no ar, misturada à imundicie do ambiente, quando todos são surpreendidos pelo fogo:

 

  “A boate virou um show de ratinhos correndo em círculos tentando fugir de uma imensa presença amarelada que surgiu bem ao lado da jovem de preto. O fogo.”

 

        São três mulheres em cena, mas a narrativa deixa claro que a líder é a mulher de preto.   

         Um velho tentou imobilizá-la, ameaçando-a ao chamá-la de “bonequinha de pano”. Mas a mulher de preto consegue fugir dali.

         No primeiro capítulo há uma passagem de tempo.

        Quinze anos se passaram desde o incêndio na boite. A mulher misteriosa está agora no Rio, numa casa em Ipanema. Julho de 2015.

       Munida de seu chicote numa casa de prostituição em Ipanema, Pantera traz seu cliente submisso aos seus encantos.

 

      “Os olhos dele se fecharam num sono dolorido e os dela se impregnaram numa carteira que imitava a pele de um jacaré. Retirou tudo o que precisava dali, despiu o seu corpo para colocar outra vestimenta, apanhou sua bolsinha e guardou o chicote nela. A máscara se divorciou de seu rosto, sendo protegida também pela bolsa. Excluiu a última camada de ar antes de deixar o escritório com uma figura aparentemente morta”.

 

      Um aparte antes de prosseguirmos com a resenha:

      É interessante mencionar que Pantera se apresenta utilizando uma máscara. Mas sua verdadeira máscara nunca é retirada. Pantera nunca se identifica e nunca revela seu nome. Todos, indistintamente, reconhecem-na apenas por sua alcunha: Pantera. Quando o autor Alec Raj coloca que Pantera retirou sua máscara, a frase soa como ironia. Nada mais falso que a atitude de retirar um adorno que é parte dela mesma- Pantera.

 

        Pantera coleciona vícios, entre eles o alcool. Quando ela chega a casa, vai contar os rendimentos do dia:

 

“(...) Apanhou um punhado de notas e disse uma frase como se estivesse treinando para uma apresentação poética:

      — O poder é a cidadela mais valiosa. Você possui tudo se o tiver, e possuindo tudo você já garantiu o seu respeito diante à sociedade”

 

        Em outra cena conhecemos Bárbara Pacheco e Andrey.

        No dia seguinte Pantera se dirige a clinica sex-Plux para a consulta semanal com o ginecologista, Júlio.

 

“Aquela mulher compreendia o exagero em optar por quilos de maquiagem apenas para visitar uma clínica ginecológica? Claro que não! Medir proporções e chancelar hipóteses não era sua praia. A vida já é medíocre demais para não optar por ações intensas, pensou enquanto saía do edifício com maturidade impressa no corpo.”

 

        É interessante como o narrador aparece e conversa com o leitor sem que ele perceba para, no minuto seguinte, ouvirmos a voz de Pantera num discurso direto e, em seguida, retomar a voz do narrador, quase ao mesmo tempo.

        Há frases ditas por Pantera e até diálogos que quase passam despercebidos ou se confundem com o próprio narrador.

       Para o ginecologista Pantera se identifica  como Red Girl- ela é ruiva, daí seu apelido. Eles transaram e Júlio disse que a amava e precisava saber quem ela era de verdade. Quando ele recebe a ligação de Bábara Pacheco.

       Em cortes bruscos de cena, vamos aos poucos montando o quebra-cabeça da história.

      A proxima peça do quebra cabeça – aqui chamada de cena de Pantera Cor-de Preto-começa a revelar algo mais do mistério.

      Bárbara Pacheco é funcionária de Almeas&Corpus, um stúdio que funciona como academia e local para filmar  filmes pronográficos .

        Andrey está furioso e reclama com Bábara por terem contratado seu irmão, Noah da Silva Lambertini.

       A diretora Sabrina contratara pessoalmente Noah, para profunda irritação de Andrey.

        Andrey vai visitar outra boite. E acaba assistindo a Performance de Pantera.

      Quando ela está saindo é abordada por um homem.

      Ao ver a cena, Andrey procura defendê-la do agressor quando no meio da luta, Pantera desmaia e ele a leva indefesa para sua casa. A aparente docilidade de Pantera é outra farsa, e logo que ela acorda na manhã seguinte ela deixa bem claro quem vai seduzir quem.

      Aos poucos outros personagens vão tomando espaço na trama e vamos conhecendo os seguranças de Andrey Lambertini e mais informações sobre o empresário.

       Conhecemos mais um poucop sobre Pantera, especialmente após Andrey chamá-la para atuar como atriz nos filmes pornôs.

       Andrey quebra algumas regras por Pantera, como ultrapassar sua cota de gasolina e recebe como punição perder a posse do carro da empresa.

     Existe uma tensão no ar entre Bábara e Pantera, mas ambas escondem isso tanto de Andrey quanto de outros personagens e também do leitor.

     Há muita coisa escondida também no passado de Andrey.

     Entretanto, Pantera parece por fim cometer um erro estratégico e revela alguma confiança em Andrey ao trocar o preto pela calça branca e blusinha da mesma cor com que vai se encontrar com ele. E mais-sem sua bolsa de oncinha, onde ela guarda o chicote. O branco é o simbolismo da pureza de intenções, da confiança.

       Ele não sabe ainda que ela foi procurar um psicólogo por insistência da empregada e amiga Evellyn, que cuida dela, do seu cãozoinho Dory e do apartamento com esmerado desvelo.

       Mas... O que Evellyn parece ignorar é que talvez insistir para Pantera desfazer-se da máscara que cobre o rosto da stripper pode se revelar uma péssima ideia.

      A diagramação do Livro Pantera cor-de preto é muito boa, entremeadas com borboletas para separar as cenas. As borboletas possuem um especial significado na história.

      A capa é interessante. Toda em tons de cinza e preto. Metade do rosto é de uma mulher com olhos cor de âmbar e na outra metade vemos a face de um felino, a pantera.

      Um livro denso, carregado de erotismo em suas 231 páginas..

      Linguagem que oscila entre norma culta com utilização de várias figuras de linguagem como metáfora e a utilização da linguagem coloquial e algo vulgar.

       A ambientação é densa, sórdida e ainda assim sedutora.

        Não é por ser um livro que fala de sexo que torna a leitura de Pantera Cor de preto do autor Alec Raj própria para adultos e sim toda a complexidade das situações apresentadas na trama.As cenas são caregadas de erotismo porém não são explicitas em descrição mas absurdamente explicita nas entrelinhas.Confuso?

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Book Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=uJ-qA6NonQM

 

 

                           Michelle Louise Paranhos- autora e critica literária.

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