Resenha de A Linha Amarela do Metrô de Viviane santyago

                 A linha Amarela do Metrô de Viviane Santyago é uma obra sui generis  que tanto pode ser lida enquanto uma coletânea de contos unidos pelo tema - estações do Metrô -, ou ainda de acordo com a proprosta da autora:  de forma independente, se valendo dos textos curtos em breves instantes  como se a aguardar a chegada da composição do metrô  ou da estação pretendida.

                 Porque Metrô e não o trem?

              Metrô remete à concepção de moderno – e nada mais moderno do que a urgência da vida atual.  

               A velocidade do metrô é bem mais acentuada que a do trem de passageiros. Além disso, o metrô fala dessa urbanidade:os contos e/ou crônicas se passam na cidade de São Paulo e  se desenvolvem no em torno das estações da Linha Amarela do metrô de SP.

            Aqui, um aparte. Ainda que o livro possua apenas 62 páginas em formato digital e a leitura seja de fato rápida, a assimilação da mensagem em cada texto demanda um amadurecimento do leitor para ler nas entrelinhas, decodificando o conteúdo apresentado.

       Uma metáfora apropriada para essa decodificação, ainda utilizando a comparação iniciada pela autora, seria como se a cada Estação o leitor pudesse escolher entre seguir na mesma composição da Linha Amarela, da Estaçãdo da Luz até a estação Vila Sônia- a última da Linha Amarela - ou descer na estação de Transferência e seguir viagem para seus pensamentos, suas vivências, numa linha Interna só sua. Ou ainda, que ao decidir trocar o Ramal e seguir outra Linha de Pensamento-indicada para o leitor através da leitura dessa coletânea- essa troca provoque o amadurecimento, apresentando o leitor a outros universos em cada Nova Estação.

         Essa Linha de Pensamento Diferenciada, porém, só experimenta quem tem a coragem de enxergar o antigo com esse novo olhar.

        Viviane Santyago consegue habilmente conduzir o leitor através dessas duas experiências com o livro A Linha Amarela do Metrô.

        A Autora apresenta o Mapa da Linha Amarela em sua totalidade ainda na página 7.    Sinaliza as estações Luz, República, Paulista e Pinheiros, onde se passam as histórias.

     Muitos contos se passam na estação da Luz, a origem de tudo.                 

     Na breve introdução, a autora explica para o leitor a importância da linha Amarela.

 

O trecho atende cerca de 700 mil pessoas por dia, e você pode conhecer cada uma delas ao ler este livro, talvez se surpreenda na página 35, 50,70, ao perceber que aquele Mario de quem falo é você, que a Angelita da página 27 muito lembra sua irmã Telma que trabalha na Paulista. Espero que você se encontre nestas páginas, assim como eu me encontrei em cada uma delas”.

 

       A linguagem é culta sem ser rebuscada embora em certos trechos sejam utilizadas expressões coloquiais, gírias e até palavrões, mas sem cair na vulgaridade. Muito ao contrário! Se existir algum momento adequado para se usar esse tipo de linguagem, a autora soube utilizar com muita propriedade.

 

         Alguns contos, porém, possuem a contemporaneidade e a urgência de uma crônica. A narrativa é como se discutisse determinada situação e servisse de reflexão para o leitor sobre algo que acabou de acontecer- Tal como a crônica “Tenha um bom dia”.

           Não é dificil compartilhar a posição da personagem quando ela anuncia categórica:

“O rapaz que cede o lugar para o pai é o mesmo que puxa minha bolsa ao sair, leva tudo que tenho: um livro de Vanessa Bárbara, dois tridentes de morango, meu bilhete único e a habilitação vencida, assim como minha pouca crença nessa humanidade de merda”.

 E quem não consegue imaginar a cena e ficar zangada por perder os dois Tridentes de Morango e o livro?  Tiraram tudo dela, inclusive a crença na humanidade. Quer tenha sido coisa de furto ou perdido a validade como a habilitação... Tanto faz. A crença na humanidade se perdeu.

 

        Em determinados momentos, a autora se confunde com a narradora, em outros a narradora é também personagem. Em alguns deles a narradora é apenas uma testemunha ocular, tal como no conto “Experiência” em que Dona Laurinda vende umas ervas dentro da composição que curam qualquer tipo de mal.

    

      Em “Gostos peculiares” a narradora é Gabi, que se apaixona pela oportunidade de criar Karina- uma cobra d’agua.

          São 24 contos muitos interessantes, que provocam alegria, tristeza, reflexão.

       Acima de tudo, o livro A Linha Amarela do metrô de Viviane Santyago traz aquela sensação de que aquilo que foi descrito ou já aconteceu ou vai aconter, em algum momento, em nossas vidas.

        Vale muito a pena ler e reler A Linha Amarela do metrô de Viviane Santyago!

                          Michelle Michelle Louise Paranhos- Autora e Critica Literária

O debate de A Linha Amarela do metrô será dia 27 de maio, no Em Pauta: Café Literatura 3

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