Primeiras Impressões de Árion- O reflexo de Um Outro Lado de Pablo Madeira

A primeira coisa que me chamou a atenção ao receber o material para estas primeiras Impressões foi o subtítulo.

O reflexo de um outro mundo.

 Se há um outro mundo é porque subentende-se de que este mundo em que vivemos não é a chave deste livro e é exatamente isso que o autor revela claramente no prólogo, ao apresentar um velho que, depois de um tempo vivendo neste mundo, precisa voltar para casa. Quem seria este velho? Onde era sua casa?

Sem dúvida, essa história já me encantou aqui mesmo, ainda em seu inicio.

“Quando retornasse, teria muitas histórias para contar ao seu povo, desde os costumes, até o que os humanos chamavam hoje de tecnologia. Ele passou muito tempo estudando e conhecendo cada detalhe daquele lugar, presenciou duas terríveis guerras e também as mais belas demonstrações de afeto. Tantos séculos ali, tanto conhecimento adquirido, mas agora era a hora de voltar”.

Antes mesmo desse prólogo, porém, Pablo Madeira coloca um breve pensamento de Nietzche como reflexão de abertura -a epígrafe de seu romance:

“... mas preciso de magia. Não consigo viver em preto e branco.” – Nietzsche.

Há todo um simbolismo presente na capa  com duas cores predominantes: vermelho e verde.

Uma jovem central, vestida com uma capa vermelha, segura uma lanterna. E olha para trás, para alguém ou alguma coisa. Seu olhar não sugere medo, ao contrário. Transparece um desafio como se dissesse: “Estou aqui, mas você ( sem importar qual seja a identidade desse alguém) não me impedirá de seguir em frente!”.

Atrás dela há a floresta e a lanterna não está na mão da moça para iluminar o caminho em frente e sim o caminho que a levara até ali.

 Essa floresta se abre através de um arco formado por duas árvores e, apesar de tudo, parece bastante iluminada por uma luz própria- tornando a lanterna desnecessária. Parece ser algo brilhante... Talvez fadas... Será que já estou no clima do livro e vejo fadas onde há brilho de vagalumes? Ou será que chamamos aos vagalumes as fadas verdes por não crermos na existência delas?

 É, definitivamente, preciso de magia, o mundo não há de ser preto e branco!

 E a capa deste livro, por si mesma, convida ao leitor a imergir no mundo de Arion. Agora, quando a ilustração de capa está associada ao pensamento de Nietzche revela uma complementação interessante e inusitada para a história que Pablo Madeira nos convida a conhecer.

 

A lanterna na mão da moça remete à outra figura mitica, o Ermitão do Tarôt.O ermitão busca o sábio dentro de você, um momento de introspecção.

Teria esse velho com alguma similaridade com o ermitão? Ainda não posso afirmar nada, mas sabendo que Pablo Madeira é um graduando de psicologia, imagino que algo tenha relação, pois, como bem diz o psicólogo Carl Jung, coincidências não existem.

No primeiro capítulo conhecemos Laura, a protagonista. Ela e seu amigo Igor resolvem entar numa casa mal assombrada para ter uma aventura. São adolescentes e ainda que Igor seja mais temeroso, o espirito aventureiro e a liderança inata da menina o convence de participar da empreitada.

Conhecemos também Felipe Dalton, o namorado mulherengo da protagonista- o que a torna bastante ciumenta. Eles não estão mais juntos, mas ao mesmo tempo, não estão exatamente separados-  numa espécie de” limbo emocional adolescente”.

Bem, Igor e Laura, após algumas dificuldades, conseguem sair de suas casas e ir até a mansão abandonada.

 Eis que Felipe segue-os e é de Igor a ideia de deixar Felipe acompanhá-los até a casa. Porque ele faz isso ainda não sabemos, mas Laura, mesmo relutante, acaba por concordar.

Nesse trecho revela uma parte do que encontraram na casa:

“(...) Era um antigo espelho. Parecia ter quase dois metros de altura e mais ou menos um metro e meio de largura, as laterais eram de madeira rústica que serpenteavam em volta do vidro trincado como uma cobra, na parte superior erguia-se algo que parecia uma mão aberta e no centro dela havia uma pedra transparente encaixada. Os garotos se aproximaram de Laura e observaram o espelho. Os três estavam sendo refletidos de forma bem assustadora naquele vidro trincado.

E aqui:

Mas, nada de fantasmas.(...) De alguma forma, como um grande ímã invisível, eles foram arrastados e sugados para dentro do velho espelho trincado.”

 

Não contei como esses dois momentos se encaixam para não estragar o suspense! Mas, posso adiantar que sim, eles entram no outro lado do espelho.

 

“— Há quase mil anos atrás em nosso mundo, um jovem feiticeiro começou a se questionar sobre a possibilidade de existir outros mundos além do nosso. Ele não conseguia aceitar a limitação de apenas Árion existir. Para ele, havia magia o suficiente em nossas terras para ser algo tão limitado e, assim como as estrelas no céu e outros planetas, Hagnarock tomou a decisão de estudar profundamente todos os mistérios da magia e até onde podia chegar com ela.”

Uma jovem mulher cega, do outro lado do espelho, revela aos jovens essa história e que agora eles estavam em Árion e falavra sobre a magia que existia naquele mundo.

 Não só a magia como a similaridade, diferenças para o nosso e principalmente a profecia em torno de Árion.

Interrompo a narrativa nesse momento para fazer um aparte:

 

Percebi alguns elementos semelhantes ao clássico da literatura mundial Alice Através do espelho de Lewis Carrol, mas não saberia dizer em que momento essa referência  se concretiza de fato, ou se o livro de Carroll  serviu apenas de inspiração para o autor por ser um livro altamente psicológico e que até hoje é estudado por especialistas e a menção do espelho apenas serviu para trazer para o leitor essa fonte de inspiração.

Bem, voltando à narrativa.

Nesse momento acontece algo muito estranho que interrompe a conversa entre a jovem mulher e os três adolescentes. Um animal os espreita:

 

“Uma claridade ofuscante dominou o local e do meio dela surgiram cinco homens montados em cavalos brancos. O laburuh olhou para os homens e começou a recuar em passos lentos. Laura conseguiu enxergar melhor a criatura: tinha a fisionomia de um humano, mas não era humano, pele negra,  garras nos lugares das unhas, estaria nu se não fosse uma roupa esquisita feita com folhas de árvores e arbustos, olhos vermelhos e uma faixa pintada de cor branca cobria o nariz e os olhos de canto a canto do rosto; na boca haviam presas afiadas que lembravam de vampiros. Os homens nos cavalos usavam vestes largas e brancas. Um dos homens começou a pronunciar algumas palavras estranhas enquanto apontava a mão aberta em direção ao laburuh.

 — Caleah cebalus ortunox, caleah cebalus ortunox...

 O laburuh uivou e fugiu, correndo para dentro da mata.”

 

A amostra que eu recebi para fazer as Primeiras impressões era composta de 39 páginas- que eu li em poucas horas, graças à fluidez da narrativa. A linguagem é rica apesar de que o autor toma o cuidado de incluir gírias e expressões tipicas do vocabulário  adolescente, caracterizando bem os personagens.

Ah! Ainda não sei exatamente quem é o velho retratado no prólogo, embora tenha minhas suspeitas... Ou será que estou errada? Esse clima de mistério é envolvente.

A curiosidade me faz ansiar pela conclusão dessa história. Não vejo a hora de conhecer completamente a história de Laura, Igor e Felipe.

Gostei muito do que li e sugiro que leiam também  Árion-O reflexo de um outro mundo de Pablo Madeira. E tenha excelentes momentos de descontração e encantamento.

 

 

                                                              Michelle Louise Paranhos- autora e Critica Literária.

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