Entrevista com o autor Ricardo Faria sobre seu livro Amor, Opressão e Liberdade.

          Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o livro Amor, Opressão e Liberdade .

           Confira a resenha do livro aqui, no Blog Café Literatura, nesse link:

           cafe-literatura8.webnode.com/news/resenha-de-amor-opressao-e-liberdade-de-ricardo-faria/

 

           Agora vamos a uma entrevista especial para o evento Em Pauta: Café Literatura 3 2018:

        

         1)    Fale um pouco de você, se apresente aos leitores.

         Olá! Primeiramente, obrigado por me fazer participar deste debate. Creio ser um momento particularmente importante para um autor “se mostrar” aos possíveis leitores e leitoras.

           Sou mineiro. Moro em Belo Horizonte desde 1966, aqui fiz o atual ensino médio e depois ingressei na UFMG para me graduar em História. Em 1986-87, fiz pós-graduação na PUC-MG, em História Moderna e Contemporânea. Lecionei desde 1969 até 2004, em cursos supletivos, ensino fundamental e médio, cursinhos pré-vestibulares e, finalmente, no Centro Universitário de Belo Horizonte. Também fiz concurso para consultor da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, na área de Educação e Cultura.

          Desde 1975 publico livros didáticos e paradidáticos, cerca de 70 volumes. Depois de me aposentar, enveredei pela literatura. Já publiquei dois romances, sobre os quais iremos debater hoje. No prelo tenho um outro: “Como contar a História do Brasil para meus netos”. Espero que seja publicado ainda este ano

              2) O que te inspirou a escrever a trama iniciada no livro O Amor nos tempos do AI-5?

                 A ideia de um romance para narrar um momento particularmente difícil para os brasileiros surgiu exatamente da       dificuldade de trabalhar isso em sala de aula. Na época de vigência do AI-5, era impossível falar; após, era difícil porque os jovens não tinham vivido plenamente na época. Então pensei em romancear. Mas da ideia original, lá pelos anos 90 do século passado, até a concretização, se passou um longo tempo, porque só depois de me aposentar é que me sobrou tempo para escrever. Quando terminei, senti que precisava desenvolver mais a trama, e então escrevi o segundo, que pega o período da história brasileira de 1972 a 1982.

           

3)    Os personagens são construções integralmente fictícias ou possuem recortes de pessoas reais? 

Algumas são fictícias, aliás, todas as grandes personagens dos dois romances: Afonso, Celina, Haydée, Nelson, Bia, Conceição, Toninho. Outras personagens tem nomes fictícios, mas referem-se a pessoas realmente existentes: Guerra, Heloisa, os alunos que se reuniram com Haydée para redigir os estatutos dos DAs e DCE, todos eles existiram. Alguns professores da Faculdade também são retratados com outros nomes. Por isso que falei que nem toda semelhança seria mera coincidência...

4)    Como foi a recepção da trama com fundo político pelos leitores?

                 Com exceção de um maluco que desandou a fazer comentários no Skoob, falando de Sodoma e Gomorra, inclusive, a recepção foi muito boa. Dentro das minhas expectativas. Quem viveu a época se reconheceu em vários momentos, quem não viveu pôde ficar sabendo.

                5)    O livro um ( O amor nos tempos do AI-5) foi mais focado na política que o segundo volume, mais focado no desenvolvimento dos personagens. Essa foi uma escolha natural ou não? Caso não tenha sido, o que motivou essa mudança?

Creio que não tenha sido uma escolha, mas pelo próprio encaminhamento da história. Veja bem, o livro 1 tem como contexto os anos de 1971 e 1972. As personagens praticamente não se modificaram, com algumas exceções. Já no segundo, como referi anteriormente, o período temporal é maior, cerca de 10 anos. Então, principalmente Nelson e Bia evoluem e sua evolução física e psicológica é analisada de forma mais detalhada. Mas isso não impede que a política apareça o tempo todo...

6)    O ritmo da narrativa de Amor, Opressão e Liberdade é um pouco mais ágil em comparação ao Amor nos tempos do AI-5. Essa mudança baseia-se em qual fator?

Você é boa observadora. O primeiro sofreu os efeitos de ser o primeiro romance que escrevi, ficou muito extenso, demorei muito em certas cenas, o que me foi apontado por um editor amigo. Então, no segundo eu, de fato, acelerei a narrativa.

 

7)    Qual personagem sentiu mais facilidade na construção da personalidade e qual foi o mais complexo? Porquê?

Celina me deu um grande trabalho no volume 1. Como fazer a cabeça dela dar um giro de 360 graus? Ela penou e eu também...rsss. Já o Afonso, apesar de não ter nada a ver comigo como muitos pensam, quando aborda os temas políticos e educacionais não deixa de ser “eu” falando. O mesmo se dá com o Nelson, no volume 2. Aliás, muitas coisas que acontecem com o Nelson foram coisas que aconteceram comigo, na vida real. Bia também, no segundo volume me deu trabalho. Você sabe por quê!

 

8)    Considera esse livro como pertencente ao gênero erótico? 

Eu não diria isso. Apesar das muitas páginas recheadas de erotismo, é um romance de época. Inclusive o aspecto erótico está profundamente imbrincado na época, pois os anos 70 foram herdeiros da revolução sexual dos anos 60.

 

9)    Como foi aliar erotismo e política numa mesma trama?

Não foi complicado. A ideia básica é aquela que transparece num diálogo entre Afonso e Celina no volume 1. Numa época de muita opressão política, o erotismo poderia ser visto como uma saída para se garantir a liberdade. Dentro das quatro paredes a liberdade que as ruas impediam.

 

10) Celina é uma personagem forte e complexa, que evoluiu muito ao longo da trama, mas em certo ponto é Bia quem assume o protagonismo nesse amadurecimento, tornando-se protagonista . Essa análise segue o seu ponto de vista enquanto autor?

Sim. Teve uma leitora, inclusive, que ficou fascinada com o crescimento de Celina. Eu publiquei esse comentário dela. Mas eu penso que tanto ela quanto Bia, cada uma dentro de suas particularidades, são as grandes protagonistas do volume 2. O amadurecimento das duas é algo fantástico, em minha opinião. Celina, então, naquele inicio, tão desamparada, se torna uma mulher de opinião firme ao romper com Toninho. E Bia, vivendo a adolescência toda “porralouca” da época, de repente se dá conta do mundo real e se transforma. Eu achei muito bacana o rumo que ela tomou.

 

11) Haverá um terceiro volume?

Para ser franco, eu tinha imaginado encerrar tudo no primeiro, mas aí vi que ficou faltando alguma coisa.... e lá veio o segundo. Achei que estava a história completamente resolvida... mas já recebi alguns comentários carinhosos pedindo o terceiro... assunto não está fechado, mas acho que, se vier, só para o ano que vem...

                               

                                  Entrevista concedida especialmente para o  Em Pauta:Café literatura 3☆2018  sobre o livro Amor, Opressão e Liberdade que estará no debate do Em Pauta:Café literatura 3☆2018 em 19 de Maio às 19 horas. 

Acesse o link e confirme agora mesmo sua participação e no sorteio de um exemplar entre os participantes do evento!

 
                             Link:https://www.facebook.com/events/368013993696703/

 

                                 Michelle Louise Paranhos- autora e critica Literária

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