Resenha de Nostalgia de Nana Lees

Olá amigos! Hoje vamos conhecer um exemplar no estilo clockpunk de literatura...

Embarque agora nesse trem em direção aos mistérios contidos em Nostalgia de Nana Lees.

Vamos lá?

                                                                           

Livro: Nostalgia

Autora: Nana Lees

Editora: Arwen

Número de páginas: 407

 

     “Admirei-me ao notar a cama arrumada com uma bela colcha vermelha. Tirei minhas botinas para deitar, a paisagem agora era o teto de madeira antiga. Vazio. Será que é isso que os bebês sentem quando vêm ao mundo? Sem ideia alguma do que ser, o que fazer? Não... Eles tinham alguém. Onde estava o meu alguém? (...)”.

    Uma garota está num trem e não sabe quem é e sequer para onde vai. Para que ela está ali, naquele trem? Então, da janela ela vê uma cidadezinha e uma estação e seguindo suas pernas, ela desembarca.

   Após um breve reconhecimento do local ela avista uma casa e entra no imóvel, aparentemente abandonado. E passa sua primeira noite ali, onde estanhamente há comida na geladeira e no armário da cozinha.

   Na casa ao lado daquela em que resolveu entrar há um garoto de aproximadamente 15 anos, de nome Frank.

   Frank logo trava amizade com a jovem e juntos eles tentam descobrir quem ela é.  Frank até mesmo passa a faltar a escola e, através dos inúmeros diálogos que eles travam- muitas vezes com mensagens truncadas e aparentemente sem sentido- vamos traçando o perfil birrento,mimado, crédulo , ingênuo e infantil da jovem, e o perfil de Frank- um  líder nato, pro ativo, protetor e narcisista,porém.

   A jovem encontra um cachorrinho e o adota, chamando-o Babu. Uma estranha e ao mesmo tempo inocente amizade se estabelece entre ela e Frank. Ele passa a dormir não apenas na casa dela, mas na mesma cama. Não existe intimidade sexual entre eles, porém, é um relacionamento casto.

   Passam a viver, ela, Frank e Babu como se fosse uma família.

   Há um detalhe... Porém.

   O pai dele parece desaprovar qualquer relacionamento entre os jovens.

   Frank estuda na escola militar e passa a faltar bastante à escola para ficar perambulando com sua nova amiga e trocam confidências no minimo confusas, porque o que terá a dizer alguém que não sabe de seu passado ou futuro?

   Durante toda essa primeira parte de Nostalgia o romance parece com uma locomotiva de um trem cuja velocidade aumenta aos poucos. Tem-se essa nítida sensação de velocidade não só porque os dias se passam, mas pela atmosfera contida nos diálogos, como se os segredos fossem revelados com o passar das horas e ainda assim, há uma névoa que impede que o leitor entenda exatamente o que está lendo, sem que isso seja ruim, porém.

   Ao ler essa primeira parte eu tive a nítida sensação de um exercício de Física: Uma pessoa sentada dentro de um trem se percebe em repouso, mas na verdade está se movimentando no ritmo do trem.

   O clima de mistério nesses diálogos atravessados entre ela e Frank é muito instigante e nos deixa com vontade de saber o que mais acontecerá. Em dado momento, Frank parece mesmo querer jogar tudo para o alto para viver com a menina ruiva de olhos acizentados quase violeta e cabelos cacheados. A mocinha perde suas feições infantis e assume os bonitos ângulos de uma moça, mas isso é tudo. Ela permancece infantil e birrenta e ao mesmo tempo em que isso o irrita... Também o encanta e ele a quer proteger.

   Mas ele não a protege de seu pai que um dia entra na casa e a trata com desdém a obrigando escolher entre afastar-se ou não de Frank.

   Então eles acabam pegando novamente o trem e vão para outro local, onde há um circo e mesmo ali parece que a presença deles acaba criando confusão. Ela acaba retornando para a “sua casa”. Ainda não faz ideia de quem é...

   Na segunda fase de Nostalgia a jovem decide espionar Frank e curiosa, decide que não apenas quer saber o que ele faz na tal escola como quer fazer parte de tudo aquilo. Essa nova etapa tem mais personagens como Liandra, Eirik, Gillie e o temido Shaper- que tem nome de cachorro e, de fato, com cachorro só tem semelhança no nome porque ele é ameaçadoramente covarde.

   Mas há outras pessoas e só mais tarde vamos conhecer-ou será reconhecer?- Hettore, que aparece poucas vezes, mas é fundamental para o livro.

   O romance Nostalgia parece aos olhos do leitor inicialmente um romance comum para em seguida transforma-se numa distopia, passando a sensação de um futuro distante e é quando finalmente percebemos a conotação atemporal do romance, a questão de máquinas e engrenagens fazem sentido e finalmente  o enquadramos  como representante  do estilo Clockpunk .

   Clockpunk é um estilo literário onde predominam engrenagens e máquinas simples, e apresentam tanto máquinas pesadas quanto dispositivos portáteis. O estilo visual baseia-se nas eras renascentistas e barrocas, de modo que os mecanismos e os invólucros serão tipicamente adornados com decorações e esculturas intrincadas, fazendo algumas máquinas muito bonitas. Esperam-se menções a Leonardo da Vinci e Isaac Newton.

   Nessa segunda metade a mocinha recebe um nome estranho- Owan- que acaba sendo reduzido para Wan- que também nada quer dizer.

    A autora Nana Less escreve a trama em duas vozes.

   Parte do enredo é narrada em primeira pessoa, sob o Ponto de Vista da jovem Wan- a chamemos assim.

   E a segunda voz é a narração em terceira pessoa, feita por alguém que analisa tudo que ela faz e parece compará-la com uma jovem que ele conhecera anteriormente, num tempo de sua juventude. Essa voz aparece sempre ao final do capítulo como um fechamento, embora nem sempre o que é dito é conclusivo.

   Seriam duas jovens? Como ele pode saber tanto sobre isso? É por isso que ele sente-se nostálgico como menciona o título?

  Uma das leituras possíveis dessa trama de Nostalgia é mesmo essa, apresentada acima: Uma jovem em busca de sua identidade num universo distópico dominado por engrenagens e máquinas.

   Outra possibilidade, entretanto, é uma metáfora sobre a infância e a adolescência. Nessa segunda perspectiva surgem importantes perguntas:

   Quem será nosso “criador”? Como ele pode criar uma pessoa perfeita se os adultos não são (somos) perfeitos?

   A estranheza de Wan é a estranheza da infância, o desejo de assemelhar-se com outros adolescentes com o passar do tempo, a quebra da hierarquia paterna... Seres ainda sem identidade fazendo um esforço sobre humanos para sentirem-se aceitos e se fazerem aceitos Não posso revelar mais que isso sem dar spoilers. Sugiro que o leitor leia uma primeira vez e na segunda releitura, observe especialmente a voz do narrador onisciente.

   Na abertura de cada capítulo há trechos de música e tanto a abertura da trama quando o final são trechos da música “Admirável Chip novo” da Pitty que, por sua vez, Traz referência com a obra literária Admirável Mundo Novo de Adouls Huxley.

   E para culminar, há a presença constante desse narrador... De quem é mesmo essa voz? Devemos confiar na aparente onisciência dele?

   Cuidado! Ora o que ele diz é a verdade, ora ele conduz o leitor para longe da casa de wan... E afinal, é lá que se encontram as respostas, desde o princípio. 

   Contudo,sem deixar-se conduzir, você não terá como retornar para a estação a tempo de pegar o trem...

    Decida-se e... Embarque nessa aventura apaixonadamente instigante!

 
Michelle Louise Paranhos- Critica Literária 
 
Quer conhecer ainda mais sobre essa instigante história? Então venha para o debate no 
Em Pauta : Café Literatura ☆2 dia 18 de junho de 2017 às 19 horas nesse link  abaixo e concorra a um exemplar da Obra: 
 
 

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